Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possivel, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstroi entre cacos e silêncio.
Quarta-feira, Maio 31, 2006
GRITO (RE)TORNADO
Preciso suforcar meu fôlego
num beijo louco, transtornado
arrancando minhas roupas nuas
e correndo num grito meu, estilhaço.
Preciso do ópio de uma dança-convulsão
degladiando com meus demônios alucinados
peregrinamente acorrentando e acordado no caos
das manchas vermelhas das paredes, fúria assassina
esfaquiando os mistérios distorcidos de minha imagem
Preciso cair numa liquidificação poética, numa morte alucinatória
preciso ser jêiser, escorrendo lava e esperma quente pegajoso, empoeirado
numa montanha de gritos plásmados, rarefeitos, contorcidos de dor e náusea
arremeçando os últimos restos das ruínas de meus sonhos humanos e frágeis-vidro
Preciso me doer até o delírio assimétrico das noites sem amor, sem poesia, sem corpo meu
para deixar de sentir as linhas equilibristas de meus assuntos-amores-banais, tristeza afrodisíaca
seguindo meus caminhos incertos de anjo entortado e contorcido em mim mesmo, frase-hóstia-blasfêmia
e morrer mergulhado nas dunas de areia negra, sem passos marcados, sem tempo ou desejo. Silenciosamente...
(L. F. Calaça | 31/05/2006)
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Ruínas Aladas tentando gritar:
L. F. Calaça
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:29 PM Comments:
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Ruínas Aladas tentando gritar:
Cazuza
EXAGERADO
Intérprete: Cazuza
Composição: Cazuza / Ezequiel Neves / Leoni
Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade
Paixão cruel desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas mancadas
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar
E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado
Eu adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:20 PM Comments:
Terça-feira, Maio 30, 2006
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Ruínas Aladas em fase de silêncio:
Zeca Baleiro
BICHO DE SETE CABEÇAS
Composição: Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Renato Rocha
Interprete: Zeca Baleiro
Não dá pé não tem pé nem cabeça
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem jeito mesmo
não tem dó no peito
não tem nem talvez ter feito
o que você me fez desapareça
cresça e desapareça
Não tem dó no peito
não tem jeito
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem pé não tem cabeça
não dá pé não é direito
não foi nada, eu não fiz nada disso
e você fez um bicho de sete cabeças
Não dá pé não tem pé nem cabeça
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem jeito mesmo
não tem dó no peito
não tem nem talvez ter feito
o que você me fez desapareça
cresça e desapareça
bicho de sete cabeças, bicho de sete cabeças
bicho de sete cabeças
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:13 AM Comments:
Segunda-feira, Maio 29, 2006
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Ruínas Aladas em fase de silêncio:
L. F. Calaça
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:35 PM Comments:
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Ruínas Aladas em fase de silêncio:
Marina Lima
FULLGÁS
Composição: Marina Lima - Antonio Cicero
Meu mundo você é quem faz
Música, letra e dança
Tudo em você é fullgás
Tudo você é quem lança
Lança mais e mais
Só vou te contar um segredo
Não nada
Nada de mal nos alcança
Pois tendo você meu brinquedo
Nada machuca, nem cansa
Então venha me dizer
O que será
Da minha vida
Sem você
Noites de frio
Dia não há
E um mundo estranho
Pra me segurar
Então onde quer que você vá
É lá, que eu vou estar
Amor esperto
Tão bom te amar
E tudo de lindo que eu faço
Vem com você, vem feliz
Voce me abre seus braços
E a gente faz um país
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:06 PM Comments:
Domingo, Maio 28, 2006
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Ruinas Aladas em fase de silêncio:
Vinícius de Moraes
SONETO DA SEPARAÇÃO
Vinicius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
Silêncioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 10:05 PM Comments:
ISSO: VERSO E REVERSO
quando te olhei, procura minha
olhos-mira desviados do foco
mãos estendidas num sem toque
sem tato eu e você, coisa-caso.
sentados costa-a-costa no inverso
de um encontro mudo sem sentidos
meu corpo em pulsação arrítmada
vejo-o desviado-esquivo, agora-sempre
é o que te sinto, frio e pálido, meu desejo
e seus pés lisos, cera pálida, pele fina
meus lábios-olhos-espelho, brilho transfixo
querendo apenas corpo e sangue corrente
porque te quero sem justificativas possíveis
e te desejando me perco para o nunca
meu mistério provérbio tragicômico
medo de perder-me neste quase escuro.
(L. F. Calaça | 28/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:17 PM Comments:
Quarta-feira, Maio 24, 2006
GEOMETRÍSMO
os triângulos retângulos acutângulos
meus vértices invertidos logarítmos
paralelepípedos buzinando na esquina
perpendicular ao ponto zero da fornalha.
sou assimétrico, neste lado já incerto
pontos sobrepostos ao vento encanado
que desvia meus signos circunflexos
para o instante adormecido milimétrico.
e meus modos imóveis e obtusangulares
arrancando num passo pirueta-compasso
riscando a superfície branco opaca no ponto
em que me afino haste-ponta ferindo o dedo.
sangue carne gotejando em formas tortas.
(L. F. Calaça | 24/05/2006)
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Segunda-feira, Maio 22, 2006
MINHAS HEMÁCEAS PERDIDAS
(NUM CHORO FRIO-QUENTE)
abro a porta e sinto meu sangue jorrando
correnteza, escada abaixo, num outro grito
desfazendo o frio espaço quase hermético
de cada degrau decrescendo em seu ciclo.
é meu sangue se derramando carne quente
minha vida, meus amores de ilusão-silêncio.
é meu olhar perdido nas dobras da cortina
onde sufoco o instante, desejando sua boca.
e tenho apenas a imagem adormecida de mim
pendendo do teto envidraçado, Lua e cósmo
no bambear entre o fio e a dobradiça estéril
de minha mão e punho-adaga enlouquecida.
meus dedos, meus dentes devorando a vidraça
cabeças degoladas pela sede de perder-me bruto
como as pedras-obelíscos neolíticos, neonatais
meu coração, espada torta, encravada à saída.
(L. F. Calaça | 22/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:43 PM Comments:
Domingo, Maio 21, 2006
OBSTRUÇÃO
meus olhos, corpo pesado
sinto a dor atravessada
paralisando meus dedos
meus segmentos de mim
acho que é este eu-afogado
respirando um ar liquefeito
cabeça soando a marteladas
sangue e suor respingados
meus ouvidos, meu sorriso
morto no canto da boca-urna
meus dentes corroídos, frágeis
devorando suspiros rarefeitos
aqui, minha lembrança hipérbole
aflorando já sem pétalas, fria
como sua mão-face metafísica
de desejo desviado para o nada.
sou meu estado de irresistência
perecível no campo já deserto
de sono, silêncio e devaneios
onde me perco infinitamente.
(L. F. Calaça | 21/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 10:42 AM Comments:
Sábado, Maio 20, 2006
RITUAL
vejo meu corpo no espelho metálico, reflexo invertido, tentáculos
lâmina sobre a pele, aparando pêlos, sangrando carne, olhos fechados
fios, espuma e suor. a torneira ligada, sonora, escorrendo meu corpo
circular movimento de queda e desaparecimento pelo estreito tubo
minhas mãos, sobre o cabelo recém aparado para você apenas, unicamente
sentindo-me um pouco melhor, um pouco mais eu. robou-me esse sentir.
meu estado de falta, querendo apenas, querendo sempre algo além do possível
querendo seu olhar sobre mim, olhos-corpo cruzando o espaço, ilusão acordada.
(des)mancho essa máscara, fantasia de mim, dependente de um sonho para ser
para ser... jamais algo além desse encantamento, desse estado de torpor
meus lábios frios, secos, maciez perdida num colapso sem retorno algum, ou...
querer, querer, querer eternamente sonolência e morte de mim, carrasco.
para que fim? unicamente um amor areia-lava, derramando poeira e fogo
corpo transformado em escultura inerte, contorcida sobre si, disforme
eu... eu... eu... eu... perdido no labirinto deste mundo paralelo, através do vidro
através desse outro reflexo líquido, cristal amorfo de meus dedos-raizes.
(L. F. Calaça | 20/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:34 PM Comments:
Sexta-feira, Maio 19, 2006
ESQUARTEJADO
não são meus pedaços, estes, pendentes nas ruinas mortas de meu desejo?
são estes os meus últimos sonhos, arrastados pelo chão cinza lama seca
morro minha ilusão, delirando a falta gasta e inerte de não ter meu outro,
sendo apenas fragmento, reflexo difuso, rabiscos em papel quebradiço
minha fúria, desejo de arrancar teus olhos, teu sexo, para tê-los em mim,
mutilando teu corpo junto ao meu, eternidade de uma dor momento vago
perecendo de mim-ti, quase fusão e impossibilidade sabida, descoberta.
neguei até o último instante, mas é tarde, e a tarde é Lua suspensa e chama
nestas ruínas de pedras, britas, poesia e lamentos de poeta sem rumos,
exponho meus restos, carne ao Sol pingando gotas de lágrima e sêmen
húmus (in)fértil, apodrescendo, virando ossos de cal e gêsso exposto
fina semente de mim, invadindo o mundo com lábios secos delicados.
(L. F. Calaça | 19/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:49 PM Comments:
L. F. Calaça
(In)SOLÚVEL
te quero espaço areia adentro
invadindo noites de lua e praia
mergulhado no olhar sem norte
beijo amargo de estilhaços rotos
te sou memória de vidas perdidas
no espaço transitivo de um beijo
querendo adormecer entre avessos
de pele, carne, pêlos. saliva quase...
e nada sei além desse agora vívido
quando sinto falta, desejo e incerteza
amando os rastros deixados na alcova
de noites vazias de amor-miragem
(L. F. Calaça | 18/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:18 PM Comments:
Quarta-feira, Maio 17, 2006
SÊMEN E DOR
meu silêncio vazio intransponível
te quero assim corpo imóvel desejo
teu suor transe tantra, sangue-parte
sou obstáculo perdido em picadeiro
sono, sina e presságio delirante.
te sou mil bifurcações, hidra e medusa
amo minha dor insustentável de existir
concreto e abstrato, pedra brita e asfalto
te devorando-me atravesso carne e gozo
sufocando instantes desmembrando alma.
e assim sigo meus rastros devassados
rarefeito como asma e sensação de morte
engolindo minha saliva fel e ácido corrosivo
amanhecendo dormência e desejo pulsante
enjaulado, esp
orramando gotas de mim.
minúsculo... imóvel... ausente... ainda...
(L. F. Calaça | 17/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 10:14 PM Comments:
Caio Fernando Abreu
"Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? Danem-se, demônios. Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida. Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida". Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud. É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci/ conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano".
(fragmento do texto
Carta a Zézim de Caio Fernando Abreu)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:37 PM Comments:
Segunda-feira, Maio 15, 2006
RUÍNAS
Florbela Espanca
Se é sempre Outono o rir das primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!
E deixa sobre as ruínas crescer heras.
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino de Quimeras!
Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais altos do que as águias pelo ar!
Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!... Deixa-os tombar... deixa-os tombar...
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:58 PM Comments:
Frederico Garcia Lorca
POEMA DUPLO DO LADO DE ÉDEN
Federico Garcia Lorca
(A Eduardo Ugarte) :
"O nosso gado pasta, o vento espira." -
Garcilaso de la Vega
Era a minha voz antiga
ignorante dos densos sumos amargos.
Advinho-a a lamber-me os pés
sob os frágeis fetos molhados.
Ai voz antiga do meu amor!
Ai voz da minha verdade!
Ai voz de minhas costas abertas,
quando todas as rosas me brotavam da língua
e a relva não conhecia a impassível dentadura do cavalo!
Estás aqui a beber meu sangue,
a beber meu humor de menino passado,
enquanto meus olhos se quebram no vento
com o alumínio e as vozes dos bêbados.
Deixar-me passar a porta
onde Eva come formigas
e onde Adão fecunda peixes deslumbrados.
Deixar-me passar, homenzinhos dos cornos,
o bosque dos espreguiçamentos
e dos saltos alegríssimos.
Eu sei o uso mais secreto
que tem um velho alfinete oxidado
e sei o horror de uns olhos acordados
sobre a superfície concreta do prato.
Mas não quero mundo nem sonho, voz divina,
quero a minha liberdade, meu amor humano
no recanto mais escuro da brisa que ninguém queira.
Meu amor humano!
Esses cães marinhos perseguem-se
e o vento espreita troncos descuidados.
Oh voz antiga, queima com tua língua
esta voz de lata e de talco!
Quero chorar porque me dá gana,
como choram os meninos do banco mais atrás,
porque não sou um homem, nem um poeta, nem uma folha,
mas um pulso ferido que ronda as coisas do outro lado.
Quero chorar ao dizer o meu nome,
rosa, menino e abeto na margem deste lago,
para dizer minha verdade de homem de sangue
matando em mim a troça e a sugestão do vocábulo.
Não, não. Eu não pergunto, eu desejo.
Voz minha libertada que me lambes as mãos.
No labirinto de biombos é meu corpo nu o que recebe
a lua de castigo e o relógio sob a cinza.
Assim falava eu.
Assim falava quando Saturno parou os comboios
e a bruma e o Sonho e a Morte andavam a buscar-me.
Andavam a buscar-me
ali onde mugem as vacas que t êm patinhas de pagem
e onde flutua meu corpo entre os equilíbrios contrários.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:44 PM Comments:
Domingo, Maio 14, 2006
SACRISTIA
Tua mão. toque abstrato
energia pura em trânsito
calor e acorde magmático
Um toque sem toque, insinuação
erotismo de palavras, corpo hóstia
lábios e boca aberta e acessível
Tua língua, meu pecado
devorando a alma imóvel
corpo teu-meu sonho brasa
Invado seus mistérios, relicários
e transponho pernas, coxas, ânus
me buscando em ti, esfera abrupta
Mas sou idéia apenas, minha-tua
meu sonho de ladrão e virgem
suspiro sangue, grito... gozo.
(L. F. Calaça | 14/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:41 PM Comments:
(S/ título), Rodin
AS CHUVAS
lavando a calçada pálida de cores nuas
amores mortos fugitivos, fornalha-cinza
lambe meus olhos corpo, carne silêncio
e arrasto as luas no caminho de volta
já não há transcendência nas bocas suas
nos dentes cor de cerâmica, cacos-passos
olhos ultrapassando os mundos atados
de meu corpo silêncio, transpondo noites
esta chuva sou meu tempo gotejando frio
entre as folhas de papel e dedos santos
quase homem, quase toque, quase nada
minhas linhas alamedas azul cor de sangue
já não canto coisa alguma que não a síntese
rarefeita de meus múltiplos delírios mudos
parte-todo desmontado como logarítmos
eu, eu mesmo, meu agora paralítico. final.
(L. F. Calaça | 14/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:17 AM Comments:
A BACANTE
As batidas convulsivas, passos, lastros, desejos. Crepúsculo e delírio, beijo, transe, fluxo. Corpo sonolento arrancando as peles mortas, sangrando a dor do mundo, a dor do eu introspecto. Milímetros de sentido, sensações, pensamentos irracionalizados. Pele e pêlos, petróleo e nevasca. O suor que desliza sal e santidade pela boca, pela testa, lágrimas furtivas. Leite derramado da taça de vidro barato. Sou meu corpo arrastado pelo precipício de meus sonhos-poesia. Meu olhar de pedra, de pedra líquida, desgêlo. Seus cachos negros, sua barba cheia e certa, suas coxas, seus mistérios da Lua. Eu, quase mulher lásciva, quase santa em sonata. Sou pedaço de acorde, sempre em melodia calma, atravessada por gritos mudos de violino louco. Sento e sinto os batimentos saindo da boca, do peito, das fendas da terra. Sou terra invadida por correntezas, bichos devorando minhas curvas, minhas cavernas vazias. Suas ondas deus Netuno. Sou parte perdida das estrelas e corro desembestada, atordoada, lança e brita. E os círculos... Sei das faces desse jogo de vida e morte, desse estado de suicídio e vingança. Sedução e acordes, espadas encravadas em corpo de touro-toureiro. Sou simbiose das partes contidas no múltiplo e indivisível. Novamente coisa além. Novamente minha repetição sincrônica, sim! Cronicamente doente de desejar a vida atravessada por seu outro corpo meu. Caverna, carapaça, simbiose. Sou mulher prenhe de ilusões. Paixão transtornada de Minerva. O crepúsculo opúsculo, claustro e prisão. Minhas peles múltiplas acorrentadas ao abismo-masmorra, silêncio disforme. Tenho um corpo açoitado, desfiguração e encantamento. Já não me sinto, pulso como elípse epiléptica. Meus dedos em seus olhos cor de canela. Meus lábios carne viva. Eu, povoando outro corpo jogado nas palavras paradoxo. Templo em ruínas de noites pagãs. Pedaços de sacrifício.
(L. F. Calaça | 14/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:37 AM Comments:
Sábado, Maio 13, 2006
CORPO-FORMA
Dedos e poros, sangue desviado
através das dobras e curvas suas.
impreciso estado de materialidade
sangue, plasma, pôlos, unhas, toque.
Meus olhos-digitais, linhas sensíveis
lábios e beijos, mãos lisas e ásperas
pelos fios de silêncio e delírio, vinho
adoçando línguas, mamilos, sexos.
Foto pendurada sobre a cama fria
minha memória sensitiva, nosso corpo
fusão de espermas, secreções e suores.
Sonhos transes transas, amores finitos.
Este agora eterno e intenso, escultura
mármore quente, fios de pulsação correndo
noite adentro, corpo ardento, mar e chamas
vela acesa, cor e cinzas. Amor, ciclo e céu.
(L. F. Calaça | 13/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:36 PM Comments:
Sexta-feira, Maio 12, 2006
Florbela Espanca
FANATISMO
Florbela Espanca
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:37 PM Comments:
PIEDADE ou O CEGO E AS MENDIGAS
Gosto de andar pelas ruas do Centro. Não gosto muito da Av. Sete de Setembro, por causa da confusão dos camelôs e do barulho das lojas, mas gosto. Gosto muito mais de andar de ônibus, o rosto encostado no vidro da janela meio engordurada, embassada de toques e respiração. Já não é a primeira vez que, ao pegar um ônibus Praça da Sé, me chega um cego e começa a cantar. Geralmemte é um sanfoneiro, com voz de matuto, olhar perdido e voz esganiçada. Hoje foi diferente. Foi um cego magro e sem dentes, cantando canções de amor da década de 50, compassos feitos com a ponta da bengala de madeira e alumínio. Dei-lhe 75 centavos pelo pouco menos de cinco minutos, ouvindo sua voz grave e rouca, vendo sua língua passando sobre a gengiva lisa e murcha. Queria ter vivido esses amores que se arrastam na voz longamente.
Desci em um ou dois pontos antes do fim de linha, onde tem um sêbo de livros que frequento de vez em quando - ultimamente menos que de costume e do que desejaria. Caminhei do lado paralelo à Praça da Piedade. Na praça e seus arredores, há mendigos e mendigas. Na extremidade da rua, antes de virar, tinha uma mulher magra e sua criança. Antes prestei atenção na máquina fotográfica, que teima em estar no mesmo lugar há mais de vinte anos. Ninguém mais tira fotos nela. Máquina de "chapa", daquelas com cochia, pano negro sobre a cabeça do fotógrafo. Peça de museu.
Voltando às mendigas... Passei pela mãe, sem lhe dar os 10 centavos pedintes. Atravessei sem olhar, olhando com o canto do olho. Antes, no ônibus, voltava a pensar nas pessoas que evitam maximamente o contato com o vizinho de cadeira. É só haver a oportunidade, mudam para um banco solitário. Também faço isso, às vezes. Mas penso um pouco sobre, em meditações que não levam a lugar nenhum. Apenas constato, pontuo,
verifico.
Na frente da Igreja de N. Sra da Piedade, da Ordem dos Franciscanos de pés descalços, se aglomeram mulheres maltrapilhas. Curiosamente, hoje, uma delas, um pouco corpulenta, cheia de panos baratos de chita sobre o corpo, dançava a música que ressoava na rua, na multidão, com passos de sandália gasta. Rosto marcado por fendas.
Eu... Eu fui ao cinema, assistir
Spartacus, de graça. Odeio filmes premiados!
(L. F. Calaça | 12/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:02 PM Comments:
Quinta-feira, Maio 11, 2006
FEITIÇARIA
as marés borbulham, falanges, cinema
dedos mordendo a areia pedra cinzas
meu colapso, claustro e calcário líquido
meus olhos filhos na barriga do assoalho
paralelismos, para quem deseja segurar
a porção opaca láctea de meu outro canto
que não eu mesmo, eu figuração alentado
nos círculos de esferas, signos e tiroteio
versões, dados datados dadaístas versos...
meus extremos milimétricos, alaúdes, nós
sua barba negra cor de cravo forte, chá
animais correndo em destinos embassados
e a palavra, mente dormente, coisa tôla, mim
através das brumas ou plumas, espelho-cortina
morre minha memória, taça. lança-formicida
entre os últimos gorjeios da coruja lorca
cavalgando... cavalgando...
(L. F. Calaça | 11/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 10:16 PM Comments:
Wally Salomão
VAPOR BARATO/FLOR DA PELE
Intérprete: Zeca Baleiro
Composição: Wally Salomão e Jards Macalé/Zeca Baleiro
Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a deus
E não me importa, honey
Minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu tô indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto
Mas eu quero esquecê-la, eu preciso
Oh, minha grande
Ah, minha pequena
Oh, minha grande obsessão
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Honey baby, honey baby, ah
Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser (baby)
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final (honey baby)
Um barco sem porto sem rumo sem vela cavalo sem sela
Um bicho solto um cão sem dono um menino um bandido
Às vezes me preservo noutras suicido
Baby, honey baby, baby, baby, baby, baby, baby
Oh, minha honey baby
Honey baby, honey baby
Baby, baby, baby, baby, baby
Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Baby, honey baby
Honey baby, baby, baby, baby, baby
Oh, minha honey baby
Honey baby, honey baby
Baby, baby, baby, baby
Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Baby
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:22 PM Comments:
Terça-feira, Maio 09, 2006
L. F. Calaça
DIARIAMENTE, MINHAS LUAS:
crônica do meio termo
Sabe quando os dias seguem seu movimento contínuo e lento, sem refluxos ou abalos, chuvas torrenciais? Estou assim. Coisa banal, meio dia-a-dia, sem sentir direito as coisas. Meio hansênico. Acho que é o que o povo tipo zên chama de "vazio fértil". Mas tá tão mais-ou-menos, que nem sei se posso chamar de fértil. Tá mais pra vazio estático, inerte, paralítico. Gosto quando as coisas são tumultuadas, galopando o mundo, me arrebatando sentimentos multiplos, confusos, contraditórios. Sinto-me em calmaria. Lua nova, nem crescente, nem minguante. Cheia, muito menos! Até minhas palavras, agora, nesse canto de página, é mais-ou-menos. Mas não vou me entediar o bastante para querer cortas meus pulsos. O máximo que farei é tomar um banho quente-frio e cochilar um pouco, meus dedos do pé tremendo e meus olhos buscando os olhos de um travesseiro de fronha estampada. E essas pequenas maneiras de não ser... E esse cômico estado de quase alguma coisa... E esse monólogo
mimético, meio metalinguístico, metaneurótico, sei lá! Gosto de caminhar pela rua. Chuva ou sol, pés sujos das lamas secas úmidas das calçadas. Meu pensamento perdido. Lembro-me de meus primeiros textos e a cotidianeidade sufocante. Sinto-me cada dia mais cotidiano, num fluir sem paixão. Gosto de paixões loucas e distorcidas, dos suores e calafrios, das lágrimas
indolores. Sou um masoquista nato, que goza o incômodo, pois que é estado de existência pulsante. Mas..., nem sempre conseguimos essa condição primordial de desequilíbrio, me permitindo um estado de letargia morosa, gasosa, sem cor. E às vezes eu solto um suspiro prolongado, a cada cinco minutos, porém sem ilusões ou desejos de romance e pecado. Um pouco apenas de oxigênio a mais, só um pouquinho, em pequenas porções, para não despertar estados alterados de consciência. A inconsciência é tudo para o poeta meio louco, meio bruxo, meio mendigo. Sou civilizadfo demais, comum demais, verdadeiramente ordinário, e sou também minha antítese, em desejo. Em desejo e coisa contrária. Deu pra entender essa rotina? Bem, confesso, é só meu hoje, eu personagem e você público. Depois piora!
(L. F. Calaça | 09/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:17 PM Comments:
UM POUCO DE PROPAGANDA GRATUITA!
Visitem! Tem coisa boa. Links para periódicos virtuais de literatura, blogs de gente nova (um pouco mais velhos que eu, mas tudo bem) e gente boa, que escreve bem, com estilo próprio, ou não.
Boa sorte para todos do Selva e do Brutti. (Ainda espero um daqueles nossos encontros regados a vodka, WAR e poesia!).
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:04 PM Comments:
Domingo, Maio 07, 2006
SADOMASOQUISMO
É na escuridão dos teus olhos
É no desterro que me joga
Que vejo o quanto me levaram o que me destes
Onde fui jogada com violência.
Está escuro aqui.
Está escuro sim.
E você nem nota, não ta nem ai.
É no brilho pontiagudo no céu
É na estrela reluzente
Que sinto uma pontada de esperança
Uma grande mudança,
Porém meus braços se agarram em cordas
Não pra sair, mas para pedir,
Que mais uma vez me jogue, me destrua.
Escrava, sou sim, escrava tua.
Pise-me, acostumei-me a tortura dos dias,
Das noites, dos momentos que é ter-te,
Mas não suportei o aterro que me sucumbiu
Quando me vi desalojada, jogada na maior escuridão.
Não suportei a ausência, solidão.
Me arranque do chão, da brisa, me jogue no poço, na tua presença
E me tritura nessa tortura
Pois desejo de padecer é pouco.
(Priscila Sobral | 05/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:13 PM Comments:
CORPO CALADO
misturo minha vida ao tédio
ócio recorrente, sinais de fumaça
dissipados no céu de nuvens frias
aquarelas desbotadas sem tons
sou este sinal de alerta desabado
nos caminhos arranhados por olhares
meus segredos falhos artefatos lógicos
já não espero respostas nem questões
estou aberto. aberto como meu corpo
vagina delirando os prantos do mundo
feito por mim em meus sonhos vãos
lápis riscando olhos bocas silêncio
e a noite é alcova estéril, sangue flauta
música cansada, perdendo-se no solo
mortalhas de amores desejos e sede
partindo agora, para quase nunca
(L. F. Calaça | 07/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:25 AM Comments:
Sábado, Maio 06, 2006
CARTA AO VENTO
Salvador, 06 de maio de 2006.
Querido Tu,
Só estou te escrevendo para dizer que estou bem. Estou melhor do que ontem, em minha solidão muda e corpo em lágrimas desgarradas num banho de chuveiro, água morna de um quente frio. Admito minha culpa de esperar demais de uma ilusão. Acabei me acostumando mal com os sonhos, e sofrendo esse eterno desiludir-me. Já não sei se choro. As coisas simplesmente acontecem comigo. Sou daquele tipo de alma que não se importa em pensar, apenas se jogando, como de um arranha-céu ou precipício. Meus sentimentos são sentimentos de suicida. Poeta que se joga na morte e na poesia como única forma de ser e amar. Cada vez mais me sinto assim. Meu corpo é apenas essas palavras que deslizo com meus dedos pelo teclado negro à minha frente. Meu corpo real é frio demais para conseguir amor o bastante. Na verdade, sempre tenho muito pouco ao alcance de minhas mãos já imóveis e invisíveis.
Dos momentos curtos daqueles dois encontros, lembro-me de minha felicidade inebriante do primeiro dia e da tensão do segundo, quando já se anunciava minha loucura e minha solidão. Sinto as coisas com uma antecipação extrema. Preferia não saber de nada, pois acabo antecipando tudo, com minhas visões de oráculo. Meus poemas são minha única realidade. Neles me torno dor, mágoa, sonho, desilusão. Me pergunto se posso mesmo amar ou ser poeta, se sou desiludido do mundo. Sou desiludido de meu mundo presença breve e passageira. Por que teimo em amar uma eternidade nunca alcançada? Sei que não se ama eternamente. Estamos quase sempre fadados ao desencontro.
Sempre quiz escrever uma carta pra você. Mas nunca pude, nem perguntei se podia. Cartas são queimadas, junto com os sentimentos, quando estes se desbotam. Te amei como criança. Agora sinto-me morrendo. Sinto-me lágrimas ressecadas. O céu branco de núvens imoveis. Meu olhar sobre teu corpo já distante, desejo intocado.
Te desejo o mundo que me falta. Te desejo o dia e seus muitos segundos.
Eu... Não se preocupe. Sei de minha resistência, de meu peito coração resiliente. Continuarei amando sempre cada novo amor, como um louco.
Sinto-me sempre só. Mas tenho minhas palavras flácidas como companheiras.
Desculpe por meus sentimentos.
Abraço meu,
L. F.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:12 PM Comments:
Janaína Calaça
LÍNGUA
vejo você chegar
com todo seu poliglotismo-de-boutique,
fabricado em curso-por-correspondência
ou nas suas aulas de três-aulas-preço-de-uma,
que você frequenta com caderno-caneta-roupa escolhidos,
achando tudo muito promissor.
eu passo a língua entre os dentes
e digo que não há língua mais universal
e unaminamente entendida
do que a língua que mora
no céu-pátria-vermelha-fibrosa
da minha boca,
umidecendo-umidecida-salivante.
você se ofende com meu desdém necessário,
mas entende quando minha língua
força entrar pelas suas pernas,
misturando-se aos seus pêlos,
invadindo seus lábios mudos e tão vermelhos como
aqueles que formam-deformam sua boca.
minha língua, meu bem,
desconhece sintaxe,
desconhece léxico,
nunca precisou de normativização,
mas conhece todos os seus pontos de articulação,
e são neles que ela se movimenta agora.
minha língua sabe exatamente
o que dizer-silêncio-apenas-toque,
pra fazer você se diluir
em seu gozo-maquete,
em suas mãos-tensas-segurando-meus-cabelos,
em suas pernas suspensas,
em seu grito-quase-grito-abafado.
espero você chegar com seus livros,
apostilas e fitas de conversação,
tudo reunido para aliviar sua tensão-fetiche
pelas línguas articuladas de vozes-sem-rosto.
espero pacientemente cada linha preenchida a exaustão
pra depois, livros e pernas fechadas,
eu te deitar neste chão-branco-papel-caderno
e te ensinar,
com toda minha pretensão de língua única e pulsante,
a sensação, o toque, o gozo,
atravessando a pele,
sem que para isso eu precise
nomear o gozo de gozo,
o prazer de prazer,
seu sexo de sexo.
a minha língua, meu bem,
é a língua universal
de um mundo-fase que rejeita todas as formas de se nomear
aquilo que, de olhos fechados e lábios entreabertos,
sabemos-conhecemos o sentido,
desde o momento em que nossa pele reagiu aos toques mudos,
ao prazer-ignorância,
a sensação-sem-o-nome-palavra como intermédio.
a minha língua, meu bem,
é essa extensão-carne de mim,
que por ser carne,
que por sentir-doce-amargo-azedo,
deseja apenas a sua língua-certeza-qualquer sabor,
misturando-se à minha boca vazia,
ao meu ventre-pele,
ao meu sexo-seu.
(Janaína Calaça | 05/05/2006)
Fonte:
http://www.naselva.com/jana/
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:47 AM Comments:
(In)DOLOR
meu corpo jato de tinta velha
ressecada sobre a mão imóvel
sangue saliva e esperma olhos
minha quase sobriendade soluços
e as palavras, meus erros mudos
meu instante de desencanto e trauma
sou fragmentos de lança e perdição
sem amor possível, quadrilátero
não te quero, meu desejo-pranto
desisti de pensar, para viver agora
meus sinais rastejantes e finitos
de humana carne e quase vida
(L. F. Calaça | 06/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:20 AM Comments:
Sexta-feira, Maio 05, 2006
L. F. Calaça (30/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 4:55 PM Comments:
DESAPEGO
Hoje lavei-me a alma
deixei-a escorrer pela chuva
artificial e grossa
cuspida de dentro de um tubo de PVC.
Cansei-me do amor-placebo
da ilusão magoada
do desejo perdido em mim.
Cansei de minha sombra
dispersa no fundo do bau envernizado.
Hoje lavei meu corpo sem sabonete
sem um tato sobre a pele
Arranquei-a com minhas unhas
e gemi a dor de meus rastros
pedaço de sangue podre.
Cansei-me da dor silenciosa
dos poemas de amor ligação cruzada
da sinceridade remorsa.
Cansei-me da transitividade.
Estou farto dos beijos na boca
dos beijos de língua
dos olhares trocados
do silêncio que caminha
sem querer ser visto.
Quero desejo apenas,
sem palavras, bárbaro,
desejo pré-reflexivo
que apenas se entregue
e me fôda!
(L. F. Calaça | 05/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 4:50 PM Comments:
L. F. Calaça (30/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:39 PM Comments:
SILENCIOSAMENTE
....................Meu corpo está seco.
........................................Minhas mãos vazias.
............................................................Sou minha sombra...
................................................................................refletida em espelho sem fundo.
.................................................................................................... [ - vazio - ]
................................................................................Eu, minha imagem refratária.
............................................................O que sinto é apenas meu.
........................................Intransitivo. Parte perdida.
....................Meu corpo sem membros.
[eu]
(L. F. Calaça | 05/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:12 PM Comments:
POEMA DE (DES)AMOR - MENINO-PÁRA-RAIO
Menino, desaprendi a ser só
por viver amando a cada suspiro
meu tempo agora que me arrasta
por palavras-lança, desejo e partida.
Menino-deus, meu coração é trapezista
caindo queda livre do céu, corda bamba
sobre o palco-chão, sem riso ou aplauso.
Apenas silêncio mudo de um ensaio.
Menino-homem, te amei por um segundo
por uma ilusão desiludida. Pago preço!
Dôu como coração-meteorito que vai
e explode em chamas-flechas transversais.
Criança, retorno ao meu canto já mofado
lembrança e pedaço, pranto e sangue.
Sou meu porém que se opõe e falha
no desejo de amar minha própria sombra.
(L. F. Calaça | 05/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:03 PM Comments:
Quarta-feira, Maio 03, 2006
[fragmentos de perfil]
Meu inferno astral se aproxima... São as pessoas que eu amo, quem tanto completa meu ser... aliás, sem vocês eu não sou nada, mas nunca admitiria isso... sou ferro e espada, a boca seca e calada, pedindo beijo, chamando nomes no horizonte... a imagem fixa de uma cena distante, e o distante se tornando próximo a cada dia... minha vida inteira passando pela mente, e a vidente que mente dizendo que iria já partir... não parti, chego aos 22 anos com mais sonhos do que antes... sonho tanto, sinto tanto, e quando percebo: pessoa onírica... apenas Sadman e Gaiman me entenderiam...
Aos poetas e filósofos: meu coração e alma catastróficos... eu como eu, nos cenários do dia a dia, e sem graça e sem alegria... dita regra de como é o ser que magia faz com as palavras... apenas suas palavras me confortam... além disso, o mundo é um rumo incerto e bastante desconfortante, triste o bastante para esquecer quem eu sou... Como disse, ninguém que alguém conheça... num inferno astral q me afasta de quem eu amo, e amar não é sofrer... porque me sinto assim então? um lago profundo, um pouco de luto, uma parte indecente daquela crente fé na vida, vivente apenas na sempre crença que me faz viver em Deus.... menos pó
(Nix di Bach)
"A tarde era calma, e por isso me derramei pelos cantos como vinho tinto num cálice de puro cristal... mantive o aroma, sentia ainda o hálito, o ótimo sabor... ah! essas noites que terminam em tardes... mantemos o calor, o vapor nada barato, e o suor! Dá-me mais um pouco desse amor: compartilhemos... para todos os seres do mundo, um tanto daquilo, que é tanto"
(Nix di Bach, em Nostalgias)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 4:27 PM Comments:
Terça-feira, Maio 02, 2006
CURSO DE FORMAÇÃO EM GESTALT TERAPIA
COORDENAÇÃO e DOCENCIA :
Aline Campos
Lika Queiroz
I - APRESENTAÇÃO
O ser humano é fruto de toda uma sistemática configuracional baseada a partir de si mesmo, " quem sou, de onde vim e para onde vou ?", ou seja, "como existo ?"
Ao dar-se conta que a existência é construída pôr si mesma , fruto das suas próprias escolhas, se estabelece no ser humano a noção de responsabilidade, de personagem passa a ser autor e ator da sua própria história.
Nessa perspectiva surge a Gestalt Terapia, como um dos expoentes do movimento denominado ¿ 3 Força ¿ na Psicologia ( Psicologia Humanista ), enfatizando o auto-conhecimento, satisfação, auto-suporte e crescimento pessoal.
Fundamentada no Holismo, concebe o ser humano como um fenômeno que engloba as dimensões física, emocional, mental, social e espiritual, não em um somatório de aspectos, mas como um todo, um novo evento que se configura a cada momento, em uma relação de campo organismo-meio.
Para a Gestalt Terapia, toda a vida tende, naturalmente, para a auto regulação através da qual o organismo satisfaz as suas necessidades, interagindo com o ambiente. A interrupção ou distorção deste processo de homeostase gera neurose.
Sendo uma abordagem fenomenológica, trabalha com experiências imediatas, o aqui e agora, que constitui a porta de entrada na realidade. O momento presente abrange as lembranças do passado e as fantasias e expectativas sobre o futuro.
O momento psicoterápico é um encontro existencial, uma relação a dois onde ambos são tocados. A intervenção terapêutica surge a partir da unicidade de cada contato; nesse sentido, acompanhar o cliente no seu caminho ao encontro de si mesmo é um processo de muita responsabilidade e eminentemente criativo que requer do terapeuta uma formação sólida que lhe permita fluir junto aos vários níveis de contato que o cliente estabelece.
II - OBJETIVO
Esta formação tem como objetivo o desenvolvimento de uma postura ética e habilidades terapêuticas, assim como a aprendizagem de um bojo teórico-filosófico e instrumentais técnicos necessários à um Gestalt Terapeuta para a realização de um trabalho eficaz na sua atuação clínica, organizacional, escolar, hospitalar ou comunitária. Esta meta só poderá ser atingida através do investimento teórico-vivencial de cada membro da formação.
III - DURAÇÃO E MODALIDADE DE TRABALHO
Carga horária :
480 hs : classes teórico vivenciais
144 hs : estágio, sendo 96hs de atendimento e 48 hs de supervisão (2 clientes)
120 hs : grupo de estudos orientado
total : 744 horas
Sexta: das 13:00 às 21:00hs
Sábado: das 08:30 às 12:00
14:00 às 18:30
Duração : 3 anos
Metodologia: O curso será desenvolvido através de classes teórico vivenciais mensais, sextas e sábados, e grupo de estudo orientado ao longo de dois anos e meio. No último ano será incluído o estágio, supervisionado quinzenalmente, e atendimento nos horários posteriormente acordados (os alunos de outros estados farão o estágio e supervisão no seu local de origem, com supervisores indicados pela coordenação)
. O aluno deverá apresentar uma monografia ao término do curso, com um prazo de 6 meses após o curso teórico vivencial para a sua elaboração.
IV - CLIENTELA
Psicólogos, médicos e alunos do curso de Psicologia ou Medicina a partir do sexto período.
V - CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1. Introdução
1.1 - Conceito de paradigma
1.2 - Antecedentes pessoais do Fritz Perls e Laura Perls
1.3 - Histórico da Gestalt Terapia
1.4 ¿ Movimento Humanista
2. Fundamentos Filosóficos
2.1 - Fenomenologia
2.2 - Existencialismo
2.3 - Filosofia Dialógica de Martin Buber
2.4 - Zen Budismo e Taoísmo
3 . Fontes e Influências
3.1 - Psicologia da Gestalt
3.2- Teoria de Campo
3.3 - Teoria Organísmica
3.4 - Holismo
3.5 ¿ Psicanálise ( Freud, Rank, Adler, Ferenczi )
3.6- Wilhelm Reich
3.7 ¿ Pensamento Diferencial (Friedlander)
3.8 - Psicodrama
5. Conceitos Teóricos Básicos
5.1 - Conceito de Gestalt
5.2 - Holismo
5.3 - Auto regulação organísmica
5.3.1 - Princípio da homeostase
5.3.2 - Figura e fundo
5.4 - Ciclo do contato
5.5 ¿ Princípio da pregnância
5.6 ¿ Awareness
5.7 - Aqui e Agora
5.8 - Óbvio e Imaginário
5.9 - Teoria paradoxal da mudança
6. Dinâmica Psíquica
6.1 - Dinâmica psíquica
6.2 - Contato
6.2.1 - Limites e funções de contato
6.2.2 - Características do Contato
6.2.3 ¿ Fronteiras do Contato
7. Polaridades
7.1 - Diferenciação e integração de polaridades
7.2 - Dinâmica do Conflito interno
8. Disfunções de Contato
8.1 - Distúrbios no processo de auto regulação organísmica
8.2 - Camadas da neurose
8.3 - Mecanismo de defesa e funções de segurança
8.4 - Diagnóstico em Gestalt Terapia
8.5 - Disfunções de contato mais graves
9. Ciência atual e gestalt
9.1 - Paradigma Quântico
9.2 - O Modelo Holográfico
9.3 ¿ Campos Mórficos
10. A Relação Terapêutica
10.1 - A natureza dialógica da relação terapêutica
10.2 - O Método fenomenológico
10.3 - Resistência : estabilidade x mudança
10.4 - Transferência e contratransferência
11. Recursos Técnicos
11.1- O papel do terapeuta
11.2- Estilos terapêuticos
11.3- O experimento
11.3.1 - utilização do experimento
11.3.2 ¿ hot seat , cadeira vazia, inversão de papeis
11.3.3 ¿ comportamento dirigido
12. - Trabalhando com a semântica
12.1 - Estruturas da linguagem
12.2 - O uso da linguagem na terapia
13. O corpo na Gestalt Terapia
13.1- Dinâmica Psicossomática
13.2- o corpo como recurso terapeutico
14 - Arte e Terapia
14.1 - Arte como expressão
14.2 - Desenho, pintura e argila
14.3 - Colagem
15. Fantasia e Sonho
15.1- Fantasia : considerações técnicas
15.2- Modalidades do trabalho com fantasia
15.3- Símbolos e mobilização psíquica
15.4- O sonho na Gestalt Terapia
15.5- Modelos de trabalho com sonhos
16. Psicoterapia de grupo
16.1- O processo grupal
16.2- A condução do grupo
16.3- Modalidades de trabalho
16.4 ¿ Experimentos grupais
17. Metodologia de Pesquisa
18. A Dimensão Transpessoal na relação
18.1 ¿ Dimensão transpessoal e estados incomuns de consciência
18.2 - Dinâmica perinatal
18.3 - Morte
19. Aplicações da gestalt terapia
19.1 ¿ gestalt nas organizações
19.2 ¿ gestalt e orientação vocacional
19.3 ¿ gestalt nos hospitais
19.4 ¿ gestalt e psicologia comunitária
19.5 ¿ gestalt infanto-juvenil
19.6 ¿ gestalt no âmbito escolar
20. Análise Crítica da Abordagem
OBSERVAÇÃO :
As monografias serão apresentadas no último módulo, seis meses após a conclusão da etapa teórica.
VI - AVALIAÇÃO
Serão realizadas avaliações ao longo do curso, objetivando a revisão do conteúdo dado. Receberá o certificado de conclusão da formação, o membro do grupo que tiver se submetido às avaliações de unidade tendo sido considerado apto, cumprido com as tarefas do estudo dirigido, com a carga horária dos atendimentos e supervisões e sua monografia aprovada com nota mínima de 7,0 (sete), além da freqüência estipulada no termo de compromisso.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:30 PM Comments:
Segunda-feira, Maio 01, 2006
SUMMERTIME
meus pés descalços na chão de giz
marcas no tablado madeira e anil
passos lambendo a pele-superfície
mãos em silêncio, amando a noite
meu amor é lua imóvel, contemplação
todos os segundos sincronizados em ti
um
drink na mão entreaberta, soluço
olhos mirando a canção dormência
a luz meio-tom, ambiente perfumado
com seu odor feitiço profano, orgía
sentidos dispersos em imagens dúbias
labios sob a parede de vidro molhado
silêncio palco de recordações e mares
teu corpo duna de areia e retalhos
último suspiro de criança idealizando
tua boca desgustando orvalho doce .
(L. F. Calaça | 01/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:42 PM Comments:
TERRORÍSMO
estranha ânsia meu pedaço perdido
carne triturada intimamente pele morta
aqui, meu espaço precipício estado anômalo
de desejo e sobriedade ardência e chama
cansado de ser e estar parte e falta
algo ausênte silêncio e solilóquio ato falho
meus pedaços minha entranha dormência
meus pulsos sangrando beijo e dor conceitos
pontos pontos marcando a inércia da palavra
estou deixando de ser poeta para ser humano
corpo estirado no espaço vazio janela aberta
onde tropeço meus sonhos em vaga jornada
poema vida sonho canção de um retorno abstrato
já não durmo mais o sono encantado apenas grito
minha imagem refratada em espelho côncavo asfalto
lábios lágrimas labaredas chamas periféricas
(L. F. Calaça | 01/05/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:15 AM Comments: